Barbeiro de Pelé por mais de 60 anos e inventor do famoso topete que virou a marca do Rei do Futebol, João Araújo, o Didi, morreu na madrugada desta terça-feira, 24, após complicações decorrentes de cirurgias no intestino. Ele deixa a esposa e três filhos.
Didi estava internado desde o início do mês no hospital Beneficência Portuguesa. Após passar por dois procedimentos cirúrgicos para tratar problemas intestinais, seu quadro de saúde se agravou.
Filha do barbeiro, Célia Araújo relatou que o pai vinha apresentando uma saúde fragilizada desde a morte de Pelé, em dezembro de 2022. “Depois da morte do Pelé, ele se abateu demais. Mexeu bastante com ele”, afirmou ao site g1.
Morreu Didi, o Barbeiro do Rei. E o conheci. Frequentei mto seu salão na época em que era repórter da revista Placar. Foi lá que eu estava, começo da década de 1980, qdo de repente o Rei entrou pra cortar cabelo. Aquele encontro gerou uma matéria que está nos arquivos da revista.
— FABIO SORMANI (@fabio_sormani57) February 24, 2026
Até pouco antes da partida do Rei do Futebol, eram constantes as idas do barbeiro até a residência dele, no Jardim Acapulco, em Guarujá, para rever o amigo e cortar o seu cabelo.
O encontro que mudou a história
A trajetória de Didi cruzou com a de Edson Arantes do Nascimento em 1956, quando ambos eram apenas jovens em busca de realização profissional em Santos. Natural de Rio Pardo de Minas (MG), Didi tinha entre 15 e 16 anos quando recebeu na cadeira de seu salão, próximo à Vila Belmiro, um garoto tímido vindo de Bauru que acabara de assinar contrato com o Santos.
Naquele dia, Pelé foi enfático: queria um corte com um topete, algo que ninguém conseguia acertar. Didi aceitou o desafio, trabalhou no cabelo do futuro Rei e o resultado foi tão satisfatório que a parceria durou mais de 60 anos. O estilo acompanhou Pelé por toda a vida.
Pelé fazendo a barba com Didi, seu barbeiro e amigo pessoal – Sergio Moraes/Placar
A barbearia de Didi, localizada quase de frente ao portão 6 da Vila Belmiro, transformou-se em um ponto turístico. O local exibia orgulhosamente presentes dados pelo Rei, como chuteiras, quadros e fotos autografadas com a dedicatória: “Para o Didi, o maior barbeiro do Brasil”.
Além de Pelé, Didi cuidou do visual de outras lendas santistas, como o ídolo Pepe, o Canhão da Vila. Em suas redes sociais, o Santos e o próprio Pepe lamentaram a partida.
“Hoje amanheceu mais triste. A notícia do falecimento do nosso querido barbeiro Didi…. Sua barbearia, ali ao lado da Vila Belmiro, nunca foi apenas um espaço de cuidado e vaidade. Era ponto de encontro de conversas animadas, risadas e amizades que atravessaram gerações. Fica a saudade de um homem simples, generoso e sempre pronto para ouvir. Vá em paz, querido Didi. Sua memória permanecerá viva em cada história contada naquela cadeira”, escreveu o ex-atleta.
A mudança de visual do Rei registrada nas páginas de Placar – Reprodução
“O Santos FC lamenta o falecimento de João Araújo, o lendário Didi, aos 87 anos. Na sua barbearia, que ficava ao lado da Vila Belmiro, recebeu a presença de vários craques da história do Clube, entre eles o maior de todos, Pelé. Foi nesse local que o famoso topete do Rei do Futebol foi inventado”, publicou o Peixe.
O velório ocorre nesta terça até às 15h40 (de Brasília) na Beneficência Portuguesa de Santos, quando o corpo segue para o Memorial Necrópole Ecumênica, mesmo local onde Pelé foi sepultado, para a cerimônia de cremação.
Com a partida de Didi, encerra-se mais um capítulo da história que ajudou a construir a imagem eterna do maior jogador de todos os tempos.
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